Em agosto de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu algo que a apresentadora Ana Hickmann afirmava desde o início: a assinatura atribuída a ela em um contrato de mais de R$ 1 milhão não era sua.
A prova não veio de testemunhas. Não veio de depoimentos. Veio de um laudo de perícia grafotécnica que concluiu, com elevado grau de certeza técnico-científica, que as assinaturas e rubricas presentes no documento não eram de Ana Hickmann.
Esse caso ilustra, com precisão, o que a perícia grafotécnica faz. E por que ela é a única ferramenta técnica capaz de provar ou refutar a autenticidade de uma assinatura perante o judiciário.
Neste artigo, você vai entender o que aconteceu no caso, como o perito grafotécnico chegou à conclusão de falsificação, quais técnicas ele utilizou e o que qualquer empresa ou pessoa física pode aprender com esse episódio.
O que aconteceu no caso Ana Hickmann
A 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reconheceu a falsidade da assinatura atribuída à apresentadora em uma cédula de crédito firmada com o Banco do Brasil. O contrato, datado de setembro de 2022, previa a renegociação de débitos da empresa Hickmann Serviços Ltda. da qual Ana Hickmann era sócia à época no valor de R$ 1.051.430,44.
Ana Hickmann questionou a autenticidade de sua assinatura no documento e pediu que a Justiça determinasse uma análise técnica. O juízo determinou a realização de perícia grafotécnica. Portanto, o resultado dessa perícia foi o ponto central do processo.
O laudo pericial concluiu que as assinaturas e rubricas examinadas não foram produzidas por Ana Hickmann e apresentavam características compatíveis com a atuação de outro autor. Além disso, o laudo registrou que as divergências identificadas ultrapassavam a faixa de variabilidade natural do grafismo humano o que, em termos técnicos, significa que a diferença era grande demais para ter explicação natural, como variação de humor, velocidade ou estado emocional.
Com base no laudo, a juíza Camila Sani Quinzani Malmegri, da 4ª Vara Cível do TJSP, reconheceu a inexistência de título executivo contra Ana Hickmann como pessoa física. Consequentemente, a apresentadora foi excluída da execução da dívida.
Contudo, a empresa Hickmann Serviços permaneceu devedora. Afinal, o contrato também continha a assinatura de Alexandre Correa que o contrato social da época permitia representar a empresa isoladamente. Portanto, a obrigação da pessoa jurídica foi mantida.
Vale destacar que esse não foi o primeiro caso. Além do Banco do Brasil, a Justiça já havia reconhecido a falsificação de assinaturas de Ana Hickmann em contratos com o Bradesco, o Itaú e o Safra totalizando valores expressivos.
O que é perícia grafotécnica e por que ela foi decisiva nesse caso
A perícia grafotécnica é a especialidade forense dedicada ao exame de escritas manuais, assinaturas e rubricas. Seu objetivo é determinar, com base em metodologia científica, se um grafismo foi produzido pela pessoa a quem ele é atribuído.
No caso Ana Hickmann, a perícia grafotécnica foi decisiva por uma razão direta: sem ela, a disputa seria palavra contra palavra. A apresentadora negava ter assinado o documento. O banco sustentava a validade do título.
Foi o laudo pericial que resolveu essa impasse oferecendo ao juízo uma conclusão técnica fundamentada, capaz de superar qualquer argumento subjetivo. Portanto, a perícia grafotécnica não apenas informou o processo: ela decidiu o resultado.
Além disso, o caso demonstra um ponto fundamental que qualquer empresa deve compreender: a assinatura em um contrato não é prova absoluta de consentimento. Quando há questionamento técnico, o perito grafotécnico é quem tem a palavra final.
Como o perito grafotécnico identificou que a assinatura era falsa
O trabalho do perito grafotécnico nesse tipo de caso segue uma metodologia estruturada. Veja como ele chega à conclusão de falsificação.
Coleta dos documentos-paradigma
O primeiro passo é reunir documentos-paradigma assinaturas reconhecidamente autênticas da pessoa questionada, coletadas de diferentes períodos da vida. Esses documentos são a base da comparação. Portanto, quanto mais variados e numerosos forem os paradigmas, mais sólida será a conclusão do laudo.
No caso Ana Hickmann, o perito coletou amostras de assinaturas e rubricas autênticas da apresentadora para comparar com as que constavam no contrato contestado.
Análise macroscópica
O perito começa pela análise a olho nu e com lupas de baixo aumento. Nessa etapa, ele observa as características gerais do grafismo a forma global da assinatura, o estilo de execução e as proporções gerais entre os elementos.
Essa análise já pode revelar diferenças flagrantes. Contudo, mesmo quando a assinatura falsa parece visualmente semelhante à original, a análise macroscópica é apenas o começo porque a falsificação mais sofisticada pode enganar o olho humano.
Análise microscópica
A análise microscópica usa equipamentos de ampliação para examinar detalhes invisíveis a olho nu. O perito examina a estrutura interna dos traços a qualidade das curvas, a espessura variável ao longo do traçado, a presença ou ausência de hesitações e a fluidez geral da execução.
Quem falsifica uma assinatura quase sempre produz traços com características distintas do original. A velocidade de execução é diferente. A pressão é inconsistente. As hesitações aparecem onde o autor original nunca hesitaria. Portanto, a análise microscópica revela essas diferenças com precisão técnica.
Análise por iluminação especial
O perito aplica diferentes tipos de iluminação para revelar características invisíveis à luz natural.
A Luz ultravioleta: revela diferenças de composição entre papéis e tintas que aparecem como elementos distintos sob UV mesmo quando são visualmente idênticos sob iluminação comum.
Luz infravermelha: penetra camadas de tinta e revela traços ocultos, sobreposições e diferenças de composição entre tintas aplicadas em momentos distintos.
Luz rasante: ilumina o documento em ângulo muito baixo, revelando marcas de pressão, relevos e características da superfície do papel invisíveis com iluminação direta.
Comparação grafoscópica sistemática
Na etapa central da análise, o perito compara sistematicamente as características do grafismo questionado com os documentos-paradigma. Ele analisa dezenas de elementos específicos.
Pressão: a força com que a caneta toca o papel é uma das características mais individuais da escrita. Quem falsifica raramente consegue reproduzir o padrão de pressão do autor original.
Velocidade de execução: a velocidade se manifesta na qualidade das curvas e na presença ou ausência de tremulações. Uma assinatura executada lentamente como acontece em muitas falsificações tem características distintas de uma assinatura fluida e rápida.
Ângulo e inclinação: a inclinação geral da escrita e o ângulo de cada elemento são características estáveis em cada pessoa ao longo da vida.
Proporções: as relações de tamanho entre os diferentes elementos da assinatura são altamente individuais e difíceis de reproduzir com precisão.
Continuidade e ordem dos traços: a sequência em que os traços saem o que está por cima do quê revela a ordem de execução. Portanto, essa análise consegue identificar falsificações mesmo quando a aparência visual é muito próxima do original.
A conclusão técnica do laudo
No caso Ana Hickmann, o laudo concluiu que as divergências entre a assinatura questionada e os documentos-paradigma ultrapassavam a faixa de variabilidade natural do grafismo humano.
Essa expressão técnica tem um significado preciso. Toda assinatura varia naturalmente ninguém assina exatamente igual todas as vezes. Contudo, essas variações naturais acontecem dentro de um intervalo previsível. Quando as diferenças ultrapassam esse intervalo, a conclusão técnica é clara: a assinatura não pode ser da mesma pessoa.
Portanto, o laudo do caso Ana Hickmann não deixou margem para dúvida técnica. E foi exatamente por isso que o juízo o acolheu como base para a decisão.
O que esse caso ensina para empresas e advogados
O caso Ana Hickmann vai além do contexto específico da apresentadora. Ele carrega lições importantes para qualquer empresa ou pessoa que firma contratos e para qualquer advogado que representa clientes em disputas documentais.
Assinatura em contrato não é prova absoluta de consentimento
O caso demonstra que a existência de uma assinatura em um documento não prova que a pessoa a quem ela é atribuída efetivamente a assinou. Alguém pode ter sido falsificado. Por isso, quando há questionamento, o caminho técnico é a perícia grafotécnica não a presunção de autenticidade.
A perícia grafotécnica protege quem foi falsificado
Para quem teve sua assinatura falsificada em um contrato, a perícia grafotécnica é o instrumento de defesa mais poderoso disponível. Afinal, ela coloca a prova técnica do lado de quem foi lesado e oferece ao judiciário uma conclusão científica que supera qualquer argumento contrário.
A perícia grafotécnica também protege quem recebe documentos
Para empresas que firmam contratos com terceiros, a verificação prévia da autenticidade de assinaturas em documentos relevantes é uma medida preventiva eficaz. Portanto, antes de assinar um contrato com base em documentos apresentados pela outra parte procurações, balanços, atas societárias uma análise pericial preventiva pode identificar adulterações antes que a transação se conclua.
A velocidade de acionamento da perícia importa
No caso Ana Hickmann, a apresentadora contestou a assinatura e requereu a perícia. Portanto, quem age rapidamente ao identificar uma possível falsificação tem mais tempo para reunir documentos-paradigma, contratar o perito e construir uma contestação técnica sólida.
O papel do Assistente Técnico em processos de falsificação documental
Em processos judiciais que envolvem contestação de assinaturas, qualquer parte pode indicar Assistente Técnico direito garantido pelo Art. 465 do Novo CPC.
O Assistente Técnico audita o laudo do Perito do Juízo e apresenta parecer técnico ao juízo. Em disputas grafotécnicas, esse papel é especialmente relevante porque a análise de assinaturas envolve interpretações técnicas complexas.
O Assistente Técnico pode questionar a qualidade dos documentos-paradigma usados na comparação. Além disso, pode contestar a metodologia aplicada pelo perito oficial e apresentar análise alternativa com conclusão diferente quando há elementos técnicos que justificam o questionamento.
Portanto, tanto a parte que alega a falsificação quanto a parte que a contesta se beneficiam de contar com um Assistente Técnico especializado em grafotécnica.
Köpp Experts: perícia grafotécnica com rigor técnico e validade jurídica
Na Köpp Experts, realizamos perícias grafotécnicas em contratos, procurações, testamentos, títulos de crédito e qualquer documento com assinatura contestada. Nossa metodologia combina análise macroscópica, microscópica e por iluminação especial chegando a conclusões tecnicamente sólidas e juridicamente válidas.
Atendemos pessoas físicas que tiveram assinaturas falsificadas em contratos. Da mesma forma, atendemos empresas que precisam verificar a autenticidade de documentos recebidos. Além disso, atendemos advogados que representam qualquer das partes em disputas sobre autenticidade documental.
Com sede em Rio do Sul, SC, atendemos clientes em todo o Brasil com agilidade e o compromisso técnico de que a fraude documental sempre deixa rastros. E que nós sabemos onde encontrá-los.
Se você suspeita que uma assinatura em um contrato foi falsificada ou se precisa contestar um documento que lhe é atribuído indevidamente entre em contato com a Köpp Experts.
A perícia grafotécnica é a prova que o judiciário reconhece.
Perguntas frequentes sobre perícia grafotécnica e assinatura falsa
O que é perícia grafotécnica e como ela prova que uma assinatura é falsa?
A perícia grafotécnica é o exame técnico-científico de assinaturas e escritas para verificar sua autenticidade. O perito compara a assinatura questionada com documentos-paradigma assinaturas autênticas da pessoa e analisa características como pressão, velocidade, ângulo e proporções. Quando as diferenças ultrapassam a variabilidade natural do grafismo humano, o laudo conclui pela falsificação.
O que significa “as divergências ultrapassam a faixa de variabilidade natural do grafismo humano”?
Toda assinatura varia naturalmente entre uma execução e outra. Porém, essas variações acontecem dentro de um intervalo previsível e identificável. Quando as diferenças entre a assinatura questionada e os paradigmas autênticos são maiores do que esse intervalo natural, o perito conclui que a assinatura não pôde ser produzida pela mesma pessoa. Portanto, essa expressão técnica indica que a falsificação está comprovada com alto grau de certeza científica.
O reconhecimento de firma em cartório substitui a perícia grafotécnica?
Não. O reconhecimento de firma verifica que a assinatura é semelhante à registrada no cartório, mas não realiza análise técnica forense. A perícia grafotécnica, por outro lado, examina dezenas de características microscópicas do grafismo e chega a uma conclusão científica sobre a autoria da assinatura. Portanto, apenas a perícia grafotécnica tem validade como prova técnica em processos judiciais sobre autenticidade de assinaturas.
Posso contratar perícia grafotécnica antes de um processo judicial?
Sim. A perícia grafotécnica preventiva realizada antes de qualquer processo é uma das medidas mais estratégicas disponíveis. Ela determina tecnicamente se um documento é autêntico, permitindo que você entre em qualquer negociação ou processo com certeza técnica sobre sua posição. Consequentemente, a perícia preventiva pode evitar processos ou fortalecer significativamente a posição de quem os inicia.
A Köpp Experts realiza perícias grafotécnicas em documentos de todo o Brasil?
Sim. Com sede em Rio do Sul, SC, atendemos pessoas físicas, empresas e advogados em todo o território nacional. Documentos podem ser encaminhados pelos Correios ou transportadora com protocolo de cadeia de custódia garantindo a integridade das evidências durante o transporte e a validade jurídica do laudo resultante.



